ANTÍDOTO PARA CRENTE BORBOLETA

borboleta

Tornou-se comum que membros de igrejas, mesmo das históricas, frequentarem cultos de outras igrejas, de linhas doutrinárias completamente diferentes. A pessoa que assim age é popularmente conhecida como “crente borboleta” ou ainda “crente beija-flor”, por razão óbvia.

Algumas décadas atrás, isso era raro de acontecer, pois os pastores, zelosos pelos seus rebanhos, advertiam os membros de suas igrejas a não procederem dessa forma, pois ficariam confusos e vulneráveis.

Podemos enumerar duas razões, entre tantas, para explicar tal fenômeno: A primeira é o desejo dessas pessoas de andarem atrás de novidades e de modismos, em geral buscando uma solução mágica para seus problemas imediatos, como advertiu Paulo, , Pois haverá tempo em que não suportarão a doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;” (2 Timóteo 4:3).

A segunda é de responsabilidade dos líderes, que não aplicam o “antídoto” para que isso não aconteça: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4:2).

Ou seja, para mudar a realidade daqueles que se cercam de mestres para verem satisfeitos seus próprios desejos, é necessário que aqueles que ministram a palavra, a façam conforme prescrito nas Escrituras.

Isso é ratificado quando o apóstolo escreve aos Efésios: “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4:14).

Falando aos líderes da igreja de Éfeso, declarou: “Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (Atos 20: 26 e 27). Paulo se eximia de qualquer responsabilidade quanto ao futuro eterno daqueles irmãos, pois lhes havia pregado “todo o desígnio de Deus”.

Hoje as pessoas fazem esse “rodízio”, sem discernirem as diferenças doutrinárias que estão por detrás de cada mensagem ouvida. Bastam ouvir a palavra “deus” para concluírem que estão falando do Deus revelado nas Escrituras. Mas será? Seria Deus um ser a serviço do homem? Seria Deus um interesseiro a espera do dinheiro do fiel para lhe abençoar? Teria Deus enviado seu filho para morrer no lugar de pecadores e a salvação desses mesmos pecadores, ficaria na dependência da aceitação desses mesmos que estão mortos em seus delitos e pecados? Seria sua obra na cruz totalmente completa e eficaz?

Charles H. Spurgeon, o grande pregador batista, em seu Sermão de Despedida (disponível completo na internete), usando esse texto de Atos 20: 26 e 27, disse: Agora devemos estudar a declaração do apóstolo em relação com a pregação atual. Se na verdade nos anima o desejo de apresentar todo o conselho de Deus, devemos, primeiramente, pregar as doutrinas do evangelho. Precisamos apresentar aquela grandiosa doutrina do amor do Pai para com o Seu povo, ainda antes da fundação do mundo, e ao mesmo tempo, proclamar com voz de trombeta Sua eleição soberana, os propósitos do Seu pacto referentes àqueles incluídos nele, e as promessas por Ele promulgadas. Ainda mais, o verdadeiro evangelista não deve deixar nunca de apresentar toda a beleza que irradia da Pessoa de Cristo, a glória e perfeição da Sua obra, e sobretudo a eficácia do Seu sangue. Seja o que for que omitirmos nalguma ocasião, essas verdades precisam ser proclamadas energicamente vez após vez”.

Assim, para que tenhamos crentes maduros de verdade, igrejas sólidas e frutíferas, cujos membros saibam discernir o verdadeiro evangelho do “outro evangelho”, é necessário que os líderes preguem o evangelho em toda a sua inteireza e fidelidade, mesmo que isso os torne impopulares e sofram perseguições e perdas, pois talvez seja esse o preço que o Senhor exija que se pague, mas “… antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

Valter Reggiani

 

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